Venho acompanhando há certo tempo o trabalho do excelente DJ e produtor musical Rafael Noronha, e também da sua bem sucedida label, a Lo Kik Records, que regularmente lança os principais nomes da cena eletrônica nacional, incluindo no seu catálogo nosso maior artista nacional da dance music atual: Gui Boratto.

O Noronha topou responder essa entrevista exclusiva, onde fala um pouco do seu background como DJ e produtor e também do seu trabalho a frente da Lo Kik Records, confira já:
Nome, naturalidade e aonde mora atualmente?
Rafael Noronha, natural de Santos/São Paulo, vivo atualmente em Santos e São Paulo.
O que veio antes: o DJ ou o produtor? Como você começou a fazer música eletrônica?
DJ, me apresento profissionalmente como DJ há 9 anos. Tive o prazer de ter me apresentado em praticamente todos os estados brasileiros, inúmeras cidades, tours internacionais, tudo como DJ. Hoje vivo outra fase, acho que uma sequência do trabalho, depois de anos de DJ, que requer muita pesquisa musical além de uma experiência enorme com diversos tipos de pista. E depois de anos fazendo um trabalho você sente a necessidade de algo a mais, depois de anos tocando me senti como uma banda cover, você precisa de técnica e feeling, mas toca a música dos outros, e assim fui estudar e procurar fazer minhas próprias faixas.
Como é o seu processo criativo de composição de uma nova track?
Isso não tem muita explicação, as vezes em certos momentos, lugares, algo te dá uma inspiração, as vezes sem ser exatamente sobre música, mas que gera uma ideia, um sentimento que te inspira e motiva a criar algo novo.
Quais são suas principais influências e inspirações?
Acho que as influências vem de anos ouvindo musica eletrônica e todas as fases que tive ouvindo todo tipo de música. Ja tive a fase da dance music, do eletrônico como Aphex Twin, Chemical Brothers, Cristal Method, Faithless, Prodigy onde realmente começou meu fascínio pela música eletrônica, mesmo muito novo, ouvi muito hardcore também, rock, samba, bossa nova, e já tive algumas fases dentro dos estilos da musica eletrônica, comecei sendo DJ de progressive house, depois de trance e hoje acho que hoje me enquadro numa fusão musical baseada na House Music, mas com inúmeras influências. Hoje, depois de estudar música, não consigo criar nada sem harmonia musical, busco sempre isso, algo que as pessoas possam se caracterizar com a música e sentirem algo agradável.
Você vive 100% de música e DJing ou possui outras atividades?
Possuo outras atividades mas ligadas a musica eletrônica, sou manager da Lo Kik Records e trabalho na direção artística da RC2 Music.
Sua label Lo Kik Records é um verdadeiro caso de sucesso, fale um pouco da história da Lo Kik, filosofia e principais diferenciais.
A Lo Kik nasceu da crescente evolução da produção nacional e a vontade de apresentar nossos “pratas da casa” para o resto do mundo, que vive o universo da musica eletrônica. Não apenas somos o país hoje em dia com maior número de festas e clubs, DJs, onde os astros são os DJs e produtores internacionais, mas também mostrar que temos grandes talentos na produção. A filosofia acho que é o diferencial: música nacional, foco nos nossos artistas, e quando temos o prazer de trabalhar com internacionais, tentar sempre acrescentar com nossos artistas. Trabalhamos com artistas internacionais sim, mas sempre com algum artista brasileiro envolvido no projeto. Enfim um trabalho sério, sincero, sempre com planejamento.
Em termos de número de downloads: o que você considera um bom resultado de um EP hoje em dia?
Um lançamento para ser considerado bom precisa ter pelo menos 1000 downloads. Isso varia muito de sites e estilos, estar em uma posição de destaque em certos sites de venda não quer dizer que o EP foi um sucesso. A margem de mais vendidas não são equivalentes proporcionais em todos os sites do gênero.
A Lo Kik consegue fazer vendas consideráveis para compradores brasileiros ou o público consumidor é majoritariamente estrangeiro?
Nao temos esse relatório específico, mas em relação aos sites de vendas, 95% vem de sites estrangeiros, mas dentro dessa margem podem conter um grande público brasileiro que possui cartão internacional e podem comprar as faixas da Lo Kik. Hoje em dia ainda não existe um site do nível dos internacionais para o público brasileiro poder comprar suas músicas por aqui.
Para o mercado tech house o Beatport é realmente a maior loja em relação as vendas, ou outras lojas, como Junodownload, Trackitdown, etc, rendem boas vendas?
Beatport com certeza esta alguns passos acima dos demais, em relação a tecnologia, promoção, marketing e, consequentemente, vendas.
Como funciona a divulgação que a Lo Kik faz para promover a venda dos seus releases? Quais sites concentram o público consumidor da Lo Kik?
Trabalhamos com uma distribuidora americana, e através do release que temos no momento bolamos o caminho e maneira que iremos promovê-lo, isso pode mudar de release para release, mas basicamente todos os releases tem assessoria de imprensa nacional e um mailing internacional exclusivo.
Como surgiu o contato e como foi a experiência de lançar o Gui Boratto pela Lo Kik?
O Gui além de um artista que dispensa comentários é uma pessoa de caráter admirável e de muita visão. Com o trabalho feito pela Lo Kik, e algumas apresentações que tivemos juntos, a conversa sobre um release, sendo por uma babel nacional, e contando com remixes todos de artistas brasileiros, animou muito ambas as partes e o release surgiu naturalmente. Para nós foi uma experiência super prazerosa e de muita credibilidade, isso não só acrescentou para o trabalho da Lo Kik ser conhecido por mais pessoas, mas abriu inúmeras portas, e também nos deu mais estímulo e vontade de continuar com um trabalho verdadeiro e profissional.
Qual conselho daria para um DJ ou produtor iniciante de música eletrônica?
Não se baseiem em rótulos. A musica é livre, não tenham medo de ser diferentes e fugir da “modinha” do momento. Na minha opinião o caminho de um DJ é produzir, e o caminho do produtor é ser original.
“Seja sempre você mesmo!” – Rafael Noronha
Parabéns pelo trabalho Noronha, tanto como DJ e produtor, como manager da Lo Kik Records!
Você acompanha o trabalho do Noronha? Comenta aí!
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Categoria: DJs e Produtores, Entrevistas
Tags: lo kik records, Perfil, rafael noronha.
Conheci o trabalho do Dudu Nahas por acaso, navegando no site Purevolume (uma espécie de Myspace) no ano de 2007, e fiquei impressionado tanto com a qualidade das suas faixas, como também a incrível musicalidade que ele passa em cada um dos seus trabalhos.

Ouvir as tracks do Dudu é uma verdadeira aula de produção de música eletrônica, pois mesmo produzindo em um home studio e sem nenhum tipo de mega investimento em hardware de última geração ou qualquer coisa nesse sentido, ele consegue fazer sons de extrema qualidade, sem contar toda a parte realmente musical de seu trabalho que sem dúvida nenhuma é fantástica!
Ele já teve matérias de seu trabalho em diversas revistas especializadas, inclusive a DJ Mag Brasil que o listou na coluna “4 Fantásticos” como uma das grandes revelações da nossa cena… ele pode ser revelação pra alguns, mas pra mim ele é uma das grandes realidades da nossa cena, um exemplo a ser seguido.
Estréio com ele a série “Perfil”, onde farei breves entrevistas sobre o background de nossos artistas e sobre o setup dos mesmos.

PERFIL: DUDU NAHAS
- Nome, idade, naturalidade e aonde mora atualmente?
Carlos Eduardo Nahas, mas artisticamente lanço tracks com três nomes: Dudu Nahas, D-Ignition Project e Stone Age. Estou com 29 anos, sou nascido em Florianópolis mas moro em Curitiba há 2 anos e meio.
- Quando você começou a produzir música eletrônica? Qual é seu background na música?
Comecei a produzir música eletrônica em 2006, quando fiz um curso intensivo na AIMEC de Curitiba. Tive um pouco mais de facilidade pois sempre fui músico desde meus 12 anos, sou baixista e guitarrista, tocava em bandas…então essa base teórica e prática meu ajudou bastante.
- Quais são os gêneros predominantes nas suas produções e sets?
Progressive house, mas atualmente tenho feito Deep e Tech-house também.
- Qual é seu setup?
COMPUTADOR: Tenho produzido em um notebook Toshiba com 4 GB de RAM, proc. Core 2 Duo. No meu live utilizo um Macbook com 4 Gb de RAM e Core 2 Duo também.
HARDWARE/CONTROLADORES: Para produzir, tenho utilizado somente a Ozonic mesmo, mas para o meu Live utilizo uma CMU Bitstream 3x. Não tenho utilizado periféricos para produzir atualmente, somente plug-ins.
DAW: Ableton Live 8
SYNTHS: Gosto muito do Gladiator, Sylenth, Massive, os nativos do Ableton também é possível achar muita coisa boa.
EFEITOS/PROCESSADORES: Gosto do pacote da waves, mas também do PSP Vintage Warmer, T-Racks, Izotope.
SAMPLE PACKS: Gosto dos da Global Undergound, pode ir direto que é coisa boa.
OUTROS: Tenho uma placa de som Echo Audiofire4, uma Audio2DJ da Native, monitores da Yamaha DS-80
- Você vive 100% de música ou possui outras atividades?
Não, sou advogado também, é o que me dá segurança, pelo menos por enquanto…
- Qual conselho daria para um produtor iniciante de música eletrônica?
Muita prática, paciência e dedicação…Não fique desapontado se no começo não conseguir o que pretende… se aprende mais partindo para uma nova track do que ficar meses em uma apenas… e procure primeiro a satisfação pessoal, o resto é consequência.
“Gostaria de agradecer a todos que apreciam meu trabalho e enviam feedbacks diariamente, isso motiva cada vez mais a continuar produzindo mais e mais. Parabéns Felippe pelo blog, atitudes como esta de divulgação das informações só faz a cena crescer! Grande abraço!” – Dudu Nahas
Seus últimos lançamentos no Beatport:

Se quiser conhecer mais sobre o trabalho do Dudu Nahas acesse os links:
http://www.myspace.com/dudunahas
http://soundcloud.com/dudunahas
http://www.myspace.com/dignitionproject
Pro Dudu eu tiro o chapéu, e depois de conhecer o trabalho dele acredito que você também irá tirar o seu!
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Categoria: DJs e Produtores, Entrevistas, Software, Hardware e Plugins
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