RMC 2010: segundo dia

Fui conferir o segundo dia do Rio Music Conference, além de assistir ao workshop de Mixagem e Masterização.

Veja algumas fotos do workshop:

O workshop de Mixagem e Masterização, ministrado por Jonny Miller da Point Blank School (UK) foi mais voltado pra galera iniciante, ele apenas mostrou basicamente como se faz a mixagem básica de uma música, usando os efeitos nativos do Ableton Live, e como se faz uma masterização bem básica.

Um ponto negativo do workshop foi a falta de cuidado da organização, pois um workshop de mix/master deveria ser feito num ambiente próximo ao que é um estúdio, e não numa sala sem tratamento nenhum, com som vazando do palco do evento e com caixas de som de PA de festa muito mal equalizadas. Além disso ele foi ministrado em inglês sem que isso tivesse sido divulgado, se houvesse alguém lá que não falasse inglês a pessoa ficaria boiando.

Mas de qualquer forma valeu muito a pena participar do evento, principalmente por ele ser o único do Brasil. É bom pra trocar uma idéias pessoalmente e com calma com toda a galera que normalmente só conversamos pela internet ou durante as noitadas.

Mas continuo batendo na tecla de que eu esperava mais gente, e continuo sem saber ao certo se foi falta de público mesmo pelo RMC ser à tarde no meio da semana, ou se simplesmente a cena eletrônica carioca e brasileira ainda tem pouca gente envolvida e/ou interessada em fazer as coisas acontecerem.

Pelo o que eu observo aqui no Rio de Janeiro: ainda são poucas as pessoas que realmente agitam a cena. Eu acho que falta ainda um sentimento de todos de criar uma cultura, uma cena de verdade.

É lógico que rolam festas muito boas aqui no Rio e também tem muita gente talentosa, seja por parte dos DJs, dos produtores musicais, do produtores de eventos, dos agitadores, da galera de mídia, mas eu acho que ainda faltam “mini RMCs” para criar laços mais fortes em todos os envolvidos. Na minha opinião as festas e festivais têm que ser uma CONSEQUÊNCIA de uma cena forte e de uma cultura, elas têm que vir naturalmente.

Você nota isso pela falta de nomes cariocas expressivos na cena nacional, atualmente eu acho que só o duo Felguk mesmo é um nome forte, tem também o DJ Memê que é um grande talento e forte militante da house music.

O polêmico e controverso Jesus Luz consegue ser mais “barulhento” e gerar mais atenção que qualquer outro DJ carioca (esse comentário vai gerar polêmica, hehehehe) mas que pelo menos coloca o Rio de Janeiro no mapa da emusic, seja de forma positiva ou negativa;  e também o André Marques tem feito o seu barulho e usado sua popularidade global (plim plim) e seu twitter poderoso para disseminar a cultura da emusic de forma positiva, ponto pra ele!

Tirando eles sinceramente não sei de mais ninguém verdadeiramente expressivo no Rio de Janeiro…

Eu sou novo nesse mercado de uma forma ativa, mas já acompanho a noite do Rio no geral desde o ano 2000, incluindo a parte que não tem nada a ver com emusic, e nunca percebi nada relacionado a emusic que impulsionasse com força essa cultura.

Parabéns a Directa pela iniciativa, mas precisamos de mais empresas e mais pessoas agitando eventos parecidos com esse, sejam de menor porte, como por exemplo o Novos Sons, organizado pelo João Paulo da Emociona/Request DJs, evento o qual eu tive o prazer de participar palestrando e fazendo um mini workshop.

Portanto pra você que mora no Rio ou em outra cidade brasileira: cabe somente a você ajudar a cena a crescer, seja divulgando o que rola, criando encontros, promovendo festas, ajudando a formar novos DJs, produtores musicais e/ou promoters e ajudando a criar mais público pro movimento.

E que venha o RMC 2011! Estarei lá firme e forte e espero que o evento continue numa crescente! :P

4 responses

Autor: Felippe Senne
Categoria: Mercado, Polêmica
Tags: , , , , , , , , .



Feedback: instrumento para evolução

O que você prefere ouvir após terminar de produzir um som?

Elogio: “Muito maneiro seu som, muito foda!”
Esculhambada: “Nossa, que porcaria de track!”

Na minha opinião, ambos os comentários são completamente inúteis.

No caso do elogio: tanto pode ser um grande amigo seu não querendo te magoar; pode ser um bom DJ / Produtor que achou sua track tão ruim que não está com saco de te mostrar os erros ou nem sequer ouviu sua track e de sacanagem fala que ela é boa pra você parar de encher o saco dele; ou talvez seja um ouvinte leigo que achou sua track bacaninha e não sabe o que opinar.

No caso da esculhambada: pode ser um DJ / Produtor que tem preconceito com seu estilo musical e simplesmente acha tudo dentro desse universo uma porcaria; ou é um bom DJ / Produtor que achou sua track muito ruim e está de mau humor pra apontar os erros; ou talvez um ouvinte leigo sem conhecimento musical ou técnico, ou até daqueles que chamam qualquer música voltada para pista de “bate-estaca”, tipo aquela sua tia-baranga-solteirona-chata.

O que você deve buscar após criar sua track é um feedback honesto e construtivo, mesmo que a pessoa dê uma esculhambada no trabalho que você levou dias, semanas, sei lá, MESES, pra fazer… se o cara que você consultou disser o PORQUÊ ele gostou ou não gostou da sua track, vai valer a pena ouvir as palavras, por mais duras que elas sejam.

Sinto que tem alguns produtores iniciantes que pegaram uma certa antipatia comigo simplesmente porque eu falo a verdade quando eles pedem uma opinião sobre suas tracks, porque eu, ao invés de ficar em amenidades como “track bacana cara, legal”, eu prefiro ser duro, porém honesto e construtivo.

Digo isso por experiência própria, pois eu não costumo ficar mostrando minhas tracks pra muita gente antes de considerá-las finalizadas, mostro apenas pras pessoas que eu sei que vão me dar um feedback construtivo, que vão me falar se a track rola ou não na pista, e onde estão os erros dela.

Portanto, se você é um jovem produtor e procura feedback pra saber se está no caminho certo, procure poucas mas boas fontes de feedback, do que simplesmente ficar mostrando suas tracks pros amigos (que nunca vão te magoar com esculhambadas) e nem em espaços (virtuais ou não) onde todo mundo só elogia/esculhamba e não explica porque está fazendo isso.

Um ótimo local para ouvir conselhos construtivos sobre suas tracks é a seção “Melhore e Melhores” do Fórum do Ilan Kriger, onde ele analisa e dá conselhos sobre as tracks, e toda segunda-feira posta as melhores no seu blog.

Confere aí: http://ilankriger.net/forum/viewforum.php?f=24&sid=fe1bacc8d200df00ba86d998d9e4ac88

Espero que todo mundo comece tanto a aprender a ouvir críticas (positivas ou negativas), como também a criticar de forma construtiva o trabalho alheio… dessa forma toda a cena eletrônica brasileira só tem a ganhar! :)

3 responses

Autor: Felippe Senne
Categoria: Mercado, Polêmica
Tags: , , , .